02/04/2010

Compreensão e interpretação de textos, Tipologia textual, exercícios (Português)

GUERRA DO TRÁFICO no Rio mata garoto



Uma bala perdida interrompeu o sonho de Carlos Henrique da Silva, 11 anos, de ser
um craque no futebol. Ele jogava no mirim do Botafogo e foi morto durante operação
policial no Complexo da Maré (zona norte do Rio). No confronto, outras sete pessoas
morreram. 0 corpo de Carlos ficou estendido no chão por 11 horas. Ele estava na colo do pai,no banco traseiro do automóvel. Voltavam de uma festa, junto com um amigo da família,que dirigia o carro.
O motorista entrou numa favela. Ali havia uma festa junina, onde a mãe de Carlos o
aguardava. 0 tiro de fuzil acertou a cabeça do garoto.


INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS
1) Assinale a alternativa CORRETA, de acordo com o texto acima.
A( ) Carlos foi morto no Complexo da Maré (zona norte do Rio).
B( ) O garoto de onze anos, ao regressar de um treino no Botafogo, foi atingido por uma bala e morreu.
C( ) O garoto que morreu jogava no juvenil do Botafogo.
D( ) O tráfego no Rio foi o motivo principal da morte.
E( ) Carlos, sua mãe e um amigo voltavam de uma festa no momento da tragédia.

2) Assinale a alternativa CORRETA, de acordo com o texto acima.
Na frase ... uma bala perdida interrompeu o sonho de Carlos Henrique da Silva, a expressão bala perdida significa:
A( ) que o projétil foi desferido acidentalmente.
B( ) que o tiro veio de um revólver perdido.
C( ) que o projétil desviou-se do alvo.
D( ) que o tiro veio do meio da festa.
E( ) que o projétil estava sem validade.


3) Assinale a alternativa CORRETA.
Se a frase Ele jogava no mirim do Botafogo e foi morto durante operação policial, no complexo da Maré... fosse redigida em linguagem informal, o vocábulo operação poderia ser substituído por:
A ( ) intervenção.
B ( ) treinamento.
C ( ) batida.
D ( ) simulação.
E ( ) confronto.


RESPOSTAS CORRETAS: 1. A 2. C 3. C


A capacidade comunicativa que permite ao usuário de uma língua compreender e produzir textos surge na infância mas pode, deve e tem de ser alargada ao longo da vida. Quem acha que tudo o que se pode aprender em leitura se esgota no Primeiro Grau pensa que ler é operação destinada apenas a decodificar signos lingüísticos e descobrir um sentido único para o texto. No entanto, o leitor não só recebe sentidos do texto, como também lhe atribui sentidos: ele dialoga com o autor. E mais: para interpretar o texto e atribuir-lhe significado, lança mão de conhecimentos extra-linguísticos: do mundo, do assunto em questão, de outros textos que contribuem para sua interpretação. Em suma, o leitor torna-se mais eficiente à medida que lê mais, de maneira cada vez mais ativa e inquisidora. Assim, adote os seguintes passos para uma boa compreensão de textos:

Leia o texto mais de uma vez, minuciosamente, para encontrar a resposta correta;

Na terceira ou quarta leitura do texto, pode-se destacar as palavras e expressões-chave.

É necessário limitar-se às informações contidas no texto.

Tente compreender o texto, fragmentando-o em parágrafos ou mesmo, em períodos; fica mais fácil interpretar.

Sempre restam duas alternativas consideradas possíveis. Nesse caso, é necessária uma nova leitura.


Coesão: é uma forma de recuperar, em uma sentença B, um termo presente na sentença A.


Exemplo:“Pegue algumas peras. Coloque-as sobre a mesa.”


Nesse caso, o elemento responsável pela coesão textual, ou seja, pela ligação existente entre as duas orações é o pronome as, porque ele recupera, semanticamente, na segunda sentença, o termo algumas peras.


Através de sinônimos, podemos obter o seguinte texto:


“As revendedoras de automóveis não estão mais equipando os carros para vendê-los mais caro. O cliente vai lá com pouco dinheiro e, se tiver que pagar mais caro o produto, desiste e as agências têm prejuízo.”


Usando o recurso da elipse, obtemos outra versão:


“As revendedoras de automóveis não estão mais equipando-os para vendê-los mais caro. O cliente vai lá com pouco dinheiro e, se tiver que pagar mais, desiste e as revendedoras têm prejuízo.”


Como vimos anteriormente, a coesão é um processo que cuida da articulação semântica entre as sentenças de um texto. Há ainda, um outro mecanismo que cuida da ligação sintática das sentenças: é a articulação sintática, e pode ser de:


OPOSIÇÃO - quando se faz por meio de dois processos:


Coesão é um processo que cuida da articulação semântica entre as sentenças de um texto.


-a coordenação adversativa

a subordinação concessiva.


- empregando os seguintes articuladores (conjunções):


- mas, porém, contudo, todavia, entretanto,


- embora, ainda que, apesar de, conquanto,


Vejamos alguns casos:


Ex.: A polícia conseguiu prender os ladrões, mas as jóias ainda não foram recuperadas.


no lugar de mas poderíamos usar qualquer um outro articulador da coordenação adversativa, em outras posições.


Ex.: A polícia conseguiu prender os ladrões; as jóias, entretanto, ainda não foram recuperadas.


A coordenação adversativa, quando empregada, faz um encaminhamento argumentativo contrário ao da oração anterior frustrando a expectativa do destinatário.


Imaginemos uma situação em que determinada pessoa tenha solicitado um empréstimo bancário e, voltando ao banco para saber sobre a aprovação do cadastro obtém a seguinte resposta:


- Fizemos um grande esforço para conceder-lhe este empréstimo.


Até esse momento da frase ele não sabe se conseguiu ou não o empréstimo; a conclusão poderá ser ou não favorável.


. . . portanto, você poderá levar, ainda hoje, o dinheiro. ou


. . . mas você não poderá levar o dinheiro por motivos alheios a nossa vontade.


Utilizando um articulador subordinativo concessivo:


Ex.: Embora tenhamos feito um grande esforço para conceder-lhe o empréstimo, você não poderá levar o dinheiro por motivos alheios a nossa vontade.


CAUSA - principais articuladores sintáticos de causa:
* Conjunções e locuções conjuntivas (o verbo e conjugado normalmente): porque, pois, como, por isso que, já que . . .


* Preposições e Locuções Prepositivas (verbo assume a forma de infinitivo): por, por causa de, em vista de, em virtude de, devido a, em conseqüência de, . . .


Ex.: Não fui visitá-lo, porque estava com pressa de voltar.
Não fui visitá-lo, em virtude de estar com pressa de voltar. Ou Em virtude de estar com pressa de voltar, não fui visitá-lo.


CONDIÇÃO - o principal articulador de condição é o se; leva o verbo para o futuro do subjuntivo ou para o presente do indicativo com valor de futuro.
 Ex.:Se você enviar hoje, poderei receber amanhã.


Se você enviar hoje, posso receber amanhã.


Outros articuladores de condição: caso, contanto que, desde que, a menos que, a não ser que.
Ex.:Caso você envie hoje, poderei receber amanhã. (pres. Subj.)
A menos que você preste atenção, vai errar. (Observe que o advérbio não é desnecessário.)


FIM - a forma mais comum de manifestar finalidade é utilizando preposição para. HÁ, ainda: a fim de, com o propósito de, com a intenção de, com o intuito de, etc. Ex.:


Os preços precisam subir, para que haja uma recuperação dos custos.


Os preços precisam subir, para haver uma recuperação dos custos.


Jorge promoveu Jonas, com o objetivo de angariar mais votos.


QUESTÃO COMENTADA:


.O berço de Mílton Dias é Ipu. Ele nasceu na pequena rua da Goela do seu torrão natal. O município tem 403 km2 e fica a 391 km de Fortaleza. A cidade da bica em que Iracema, de Alencar, se banhava está na região norte do Estado e seu padroeiro é São Sebastião. A bica do Ipu é uma queda d’água que surge por entre o Despenhadeiro da Morte e desprende-se de uma altura de 180m, formando um “Véu de Noiva” que encanta a todos os visitantes da pequena localidade do Ceará. As expressões que retomam, no texto, a expressão “o berço” são:


A) Ipu – município – região norte – “Véu de Noiva” – pequena localidade do Ceará.


B) torrão natal – município – bica do Ipu – Despenhadeiro da Morte – “Véu de Noiva”.


C) Ipu – torrão natal – município – cidade da bica – pequena localidade do Ceará.


D) pequena rua – torrão natal – município – bica do Ipu – “Véu de Noiva”.


E) Ipu – torrão natal – município – região norte – pequena localidade do Ceará.


Comentário - A questão trata de leitura, precisamente coesão referencial. O candidato deve ser capaz de identificar as expressões que se referem a "o berço". Está correta a opção C. O berço é retomado no texto pelas expressões "Ipu", "torrão natal , "município", "cidade da bica" e "pequena localidade do Ceará". "Região Norte", nas opções A e E, não retoma berço", porque o segundo está localizado no primeiro, mas não o substitui. Do mesmo modo, "Véu de Noiva", nas opções A, B e D, retoma o termo "bica do Ipu"e não, "berço". "Despenhadeiro da Morte", na opção B, também não retoma "berço", refere-se ao local onde fica a bica do Ipu. Finalmente, "pequena rua", na opção D, refere-se a uma rua da cidade onde o escritor nasceu e não à cidade onde nasceu.


*****EXERCÍCIOS*****


Leia o texto a seguir para responder às questões 1 e 2.


História para ninar executivos


Havia um pastor chamado Pedro – como aliás se chamam todos os pastores de histórias como esta. Ele tinha um jeito todo especial para cuidar de seu rebanho. Até parece que os bichinhos reconheciam esse talento e o admiravam por isso. Acho que se pudessem falar e escolher o próprio pastor, sem dúvida Pedro seria o favorito. Ele sabia criar um clima organizacional muito especial, como, por exemplo, dar nome para cada carneirinho e ovelhinha, respeitando os hábitos e costumes de cada um.
Ao longo dos anos, Pedro acabou desenvolvendo uma sensibilidade muito apurada em seu trabalho. Graças a essa habilidade, aprendeu a identificar com rapidez quando havia uma ovelha mais estressada no grupo. Mas descobriu também que a causa não era tão importante assim. O que realmente interessava era, fosse qual fosse a circunstância, neutralizar o problema. Se não agisse com vigor, o rebanho inteiro poderia se contaminar com o comportamento de uma ovelha, tornando-se incontrolável em alguns minutos.
Para se defender de situações como essa, Pedro cercou-se de uma série de ferramentas. A primeira delas foi estabelecer sensores que o alertassem com antecedência sobre fatos muitas vezes despercebidos, mas com potencial para se transformarem em sérios problemas para o rebanho.
Assim, se uma ovelha apresentasse uma tendência à histeria, berrando
desnecessariamente e provocando contínua ansiedade no grupo, era implacável na punição. Também sabia reconhecer e premiar os melhores colaboradores.


QUESTÃO 1


Os trechos destacados em negrito, a seguir, constam no texto original do autor e devem retornar a seus lugares. A esse respeito, julgue os seguintes itens.
a) É correta a inserção de Pois animais, assim como os homens, têm as suas idiossincrasias. no final do primeiro parágrafo, na forma de um comentário ao que havia sido exposto anteriormente.


b) É correto inserir As razões, a experiência o ensinou, podiam ser múltiplas. Ora um
ferimento ou um problema orgânico, ora uma ameaça externa, como a proximidade de um predador. no segundo parágrafo, imediatamente após o segundo período.


c) É correto inserir Paralelamente, uma vez identificado, liquidava com presteza o foco do problema, evitando futuros aborrecimentos ou recorrências. imediatamente após o primeiro período do terceiro parágrafo.


d) É correta a inserção de Foi assim até mesmo com Elvira, a sua ovelha favorita, que foi transformada em costeletas, por mais que isso tenha entristecido Pedro. no final do quarto parágrafo, por ser a exemplificação da afirmativa nele contida.


e) O trecho Quando Eduardo, um carneiro caolho e coxo, alertou o rebanho com seus frágeis e desafinados balidos sobre a proximidade de um lobo, Pedro não só deixou de castrá-lo como também assegurou sua aposentadoria por velhice. O que, convenhamos, no mundo ovino, não é pouca coisa!, por não ter relação com a última idéia expressa, deve constituir um sexto parágrafo.


QUESTÃO 2


A respeito das idéias contidas no texto, julgue os itens que se seguem.
a) O texto classifica-se como uma fábula ou um apólogo, por atribuir a seres inanimados características de seres humanos.


b) O texto apresenta uma forte conotação religiosa, haja vista a inserção, já no início da narrativa, do nome bíblico “Pedro”.


c) Pelo emprego de algumas palavras e expressões, percebe-se o tom irônico empregado na história.


d) Com o trecho “Mas descobriu também que a causa não era tão importante assim” (L. 9-10), há uma crítica ao tratamento dispensado aos empregados pelos patrões.


e) As atitudes do pastor estão fundadas na seguinte máxima: uma ovelha ruim põe a perder todo o rebanho.


Leia o texto abaixo, que apresenta lacunas a serem preenchidas, para responder às


Texto questões 3 e 4


Um dia, o dono do pasto decidiu desfazer-se do negócio e vendeu a área para uma
construtora, que resolveu fazer um condomínio de lazer de luxo. Mas era preciso dar um ar de natureza sem os seus problemas inerentes, como insetos em geral e animais que pudessem sujar o ambiente. ___I___, criar ovelhas, até pela falta de espaço, não se enquadrava no novo cenário. Assim, o dono indenizou Pedro e vendeu o rebanho para um frigorífico, congelando o assunto.
Pedro, nessa altura, decide mudar-se para a capital. Passam-se os anos e, para resumir a história, vamos encontrá-lo trabalhando numa grande empresa, num setor que na época se chamava departamento de pessoal – ou DP, que alguns maldosamente diziam ser as iniciais de departamento de polícia. Hoje, com tanta gente sofisticada trabalhando na área, ninguém mais se refere a DP, mas a recursos humanos. Pedro foi inicialmente contratado para anotar alterações funcionais dos empregados nas suas carteiras de trabalho. Nessa função mecânica, sobrava-lhe tempo para pensar. Sentiu saudades das ovelhas e dos carneiros. Mais para se distrair, passou a imaginar que cada um dos empregados fotografados naquelas carteiras de trabalho era um membro de seu falecido rebanho. ___II___, quando começava a se afeiçoar aos rostos, eles eram trocados. Descobriu que
___III___ era o acentuado número de demissões de funcionários, muitos praticamente recémcontratados.
Veio-lhe a lembrança desagradável dos tempos de pasto, quando o mesmo fato
ocorria toda vez que o dono resolvia vender parte do rebanho para abate. Neste caso,
___IV___, tinha como interferir.
Procurou o diretor da empresa e se ofereceu para cuidar do processo de seleção. Sua tese era que uma escolha correta evitava um desligamento profissional desnecessário. A estratégia deu certo, as demissões diminuíram, e ele foi promovido para o lugar de seu chefe.
Agora, tinha de administrar um rebanho de gente. Lembrou-se do seu modelo de punições
e recompensas e o adaptou às novas circunstâncias. Adotou também o critério de chamar a todos pelos seus nomes, ___V___ os encontrava casualmente nos corredores da empresa.
Pedro não se esquecera das lições do pasto. Suas ferramentas, incluindo os sensores que o alertavam a respeito de problemas em potencial, continuavam a ser adotadas. Inventou vários sensores, mas, o mais importante, manteve o rebanho sob controle. Fosse ele constituído de gente ou de carneiros, era fundamental evitar futuros problemas.


QUESTÃO 3
Julgue os itens a seguir, de acordo com a adequação sintática e semântica dos termos ao contexto.
a) Definitivamente é uma palavra adequada ao preenchimento da lacuna I.


b) No entanto, Todavia e Contudo são conectivos adversativos que servem para ocupar a lacuna II.


c) A expressão a conseqüência, ou outra sinônima, completa adequadamente a lacuna III.


d) Qualquer conjunção ou locução conjuntiva que apresente circunstância proporcional completa adequadamente a lacuna IV.


e) A conjunção quando ou a locução adverbial temporal sempre que completam adequadamente a lacuna V.


QUESTÃO 4
Ainda com referência às relações morfossintáticas e semânticas do texto, julgue os itens a seguir.
a) Na linha 4, após a palavra “frigorífico”, o vocábulo “congelando” está empregado em sentido conotativo.


b) A substituição de “Mais” (L. 14) por Mas não altera o sentido do período.


c) Substituindo o verbo “afeiçoar” (L. 17) por acostumar ou habituar, perde-se a crítica colocada pelo autor à conduta de Pedro.


d) Na linha 19, “lembrança” traz o sentido de recordação e exerce a função sintática de núcleo do sujeito do verbo vir.


e) A mudança de “era fundamental evitar futuros problemas” (L. 33) para evitarem-se futuros problemas era fundamental não acarreta alterações de sentido e está sintaticamente correta.


QUESTÃO 5 Texto III
Pois bem, meus jovens colegas. Assim foi que Pedro se tornou um bem-sucedido executivo de recursos humanos – nome para o qual, aliás, foi um dos pioneiros a propor que a área fosse rebatizada. Nunca mais sentiu saudade nem do antigo DP nem do campo. Isso me faz pensar que, no fundo, a humanidade caminha em grandes círculos. Por vezes, as respostas aos problemas mais complexos com que defrontamos nas empresas já foram encontradas em circunstâncias bem mais simplórias e por alguns de nossos menos nobres antepassados. Afinal, tudo se passa como se estivéssemos num velho teatro onde o público tem a sensação de estar vendo novas peças. Na realidade, o que muda é apenas o cenário, pois o enredo é rigorosamente o mesmo!


Este parágrafo apresenta-se distribuído nos itens abaixo, com mudanças estruturais. Julgue-os quanto à correção gramatical.
a) Pois bem, meus jovens colegas, foi assim que Pedro se tornou um bem sucedido executivo: trabalhou em recursos humanos, nome que, aliás, foi um dos pioneiros a propor para a sua área.


b) Nunca mais sentiu saudades: nem do antigo DP e nem do campo, o que me faz pensar que no fundo, a humanidade caminha em grandes círculos.


c) Por vezes, as respostas aos problemas de maior complexidade com que nos defrontamos nas empresas já foram encontradas em circunstâncias bem mais simples e por alguns dos nossos menos nobres antepassados.


d) Afinal, tudo se passa como se nos encontrássemos em um velho teatro em que nós, o público, tivéssemos a impressão de estar vendo peças novas.


e) Haja vista que o enredo é rigorosamente o mesmo, na realidade muda apenas o cenário!


GABARITO
1: C-C-E-C-E 2: E-E-C-C-C 3: C-C-E-E-C 4: C-E-C-C-C 5: E-E-C-C-C


2. TIPOLOGIA TEXTUAL


A estrutura e a composição do parágrafo se relacionam com as idéias que queremos
expressar. Temos idéias reunidas num parágrafo, quando elas se relacionam entre si pelo seu sentido. Dentro do mesmo parágrafo podemos ter diferentes idéias, desde que elas, reunidas, formem uma idéia maior. São qualidades principais do parágrafo, a unidade e a coerência.O período contém um pensamento completo que, embora se relacionando com os anteriores ou se ampliando nos posteriores, forma um sentido completo.
Era uma borboleta. Passou roçando em meus cabelos, e no primeiro instante
pensei que fosse uma bruxa ou outro qualquer desses insetos que fazem vida
urbana; mas, como olhasse, vi que era uma borboleta amarela. (Rubem Braga)
Temos aqui um parágrafo, com dois períodos. O primeiro período tem apenas uma idéia. O segundo, tem várias, mas forma um todo. No total, o primeiro e o segundo período formam um bloco homogêneo, o parágrafo.
O período pode ser simples (como, no exemplo, a frase: “Era uma borboleta”) ou composto (como a frase: “Passou roçando (...) borboleta amarela”). No período simples temos apenas uma oração, no período composto temos várias orações articuladas entre si.
A predominância de períodos longos ou curtos na composição de um texto depende muito do estilo de quem escreve. Na linguagem moderna predomina o uso de períodos curtos.
Depois, as coisas mudaram. Há duas explicações para isso. Primeira, que nos
tornamos homens, isto é, bichos de menor sensibilidade. Segunda, o governo, que
mexeu demais na pauta dos feriados, tirando-lhes o caráter de balizas imutáveis e
amenas na estrada do ano... Multiplicaram-se os feriados enrustidos, ou dispensas de
ponto e de aula, e perdemos, afinal, o espírito dos feriados. (Carlos Drummond de
Andrade)
Nesse parágrafo de Carlos Drummond de Andrade, escritor brasileiro contemporâneo, os períodos curtos predominam. Em escritores do Romantismo, os períodos longos eram freqüentes e abundantes, como, por exemplo, neste trecho de José de Alencar:

Felizmente todo o deserto tem seus oásis, nos quais a natureza, por um
faceiro capricho, parece esmerar-se em criar um pequeno berço de flores e de
verdura concentrando nesses cantinhos de terra toda a força de seiva
necessária para fecundar as vastas planícies.

O uso de períodos curtos oferece a vantagem de maior clareza de pensamento (e, em
última análise, de comunicação), evitando-se o perigoso entrelaçamento de frases em que se pode perder quem utiliza períodos muito longos.


No período composto os pensamentos podem se articular por coordenação ou
subordinação. Quanto à tipologia vejamos o texto dissertativo, narrativo, descritivo, persuasivo.


Dissertação é um texto que apresenta idéias, opiniões, reflexão ou julgamento sobre um determinado assunto. A dissertação apresenta uma estrutura determinada:


ESTRUTURA DO TEXTO DISSERTATIVO


 a) Apresentação do assunto (idéia principal a ser desenvolvida).


b) Posicionamento do autor sobre o assunto.(Argumentos)


2. Desenvolvimento(Contra-argumentos)


a) Defesa do posicionamento do autor, através de argumentos.
A argumentação para tornar-se mais convincente e verdadeira pode valer-se
de :-exemplos


-citações


-fatos acontecidos


-dados comprovados


-causas/conseqüências


-enumeração, etc.


b) Também pode haver contra-argumentos, ou seja, idéias contrárias aos


argumentos apresentados. No final, faz-se um balanço e os argumentos


devem prevalecer. Na verdade, os contra-argumentos também sustentam a


idéia defendida, o posicionamento do autor.


3. Conclusão
a) Retomada de idéia principal e conclusão.


b) Podem-se apresentar sugestões sobre o assunto.


Veja o texto:


O casamento atual
Anna Narbone de Faria1


O casamento atual, como todas as demais instituições, sofreu incríveis modificações. Se a moça ainda aguarda o cavaleiro montado em um corcel branco e que a faça feliz para toda a vida, vai morrer de velha, nessa espera.
O cavaleiro se desmistificou. Já não vem mais montado, mas sim a pé sofrendo as agruras de um mercado de trabalho.cada vez mais difícil para o homem e mais exigente com a sua capacidade.
A mulher tem mais condições de trabalho, por aceitar ganhar menos, trabalhar em qualquer hora, deixando de ver reconhecidas, pelas suas necessidades, as suas qualidades de operária.
O casamento já não diz mais "até que a morte nos separe", pelo menos não se pensa assim, e nem o homem diz para a mulher "mulher minha não trabalha fora de casa". A família é sustentada pelos dois, ou pelo trabalho da mulher quando o homem fica desempregado. Também os casais já não têm uma casa grande, muito menos quatro a seis filhos para educar. A vida atual exigiu que o apartamento de dois ou três
quartos fosse a morada da família. Os pais trabalham, os filhos ficam por conta da avó, ou permanecem sozinhos, ou em cursos que auxiliam sua vida escolar. Raramente, a família se encontra durante a semana.
Dentro dessas modificações, fica mais fácil a separação quando as desavenças aparecem. E é nesse 1 Anna Narbone de Faria é advogada, especialista em Direito de Família.
exato momento que se vê, realmente, que o casamento não foi feito para durar, mas para produzir felicidade. Desde os filhos, todos querem ser felizes. Se não há entendimento, melhor viver separados do que juntos e infelizes. Os próprios filhos, quando adolescentes, são os que pedem aos pais pela sua separação, tendo em vista as brigas constantes.
A separação é um mal necessário. Todavia, ela precisa respeitar as pessoas que fazem parte da família. É necessário estabelecer um critério para a pensão alimentícia, pois os filhos precisam continuar estudando no lugar onde foram matriculados, sem que sejam retirados dos colégios que freqüentam, tudo por uma vingança do pai para com a mãe ou vice-versa. Os filhos precisam continuar a contar com a presença dos pais e seus problemas continuam a ser tão importantes quanto eram, quando a família estava unida.
O pai e a mãe têm o direito de procurar novos companheiros, pois é imposição da nova sociedade. Por sua vez, precisam ser respeitados pelos antigos companheiros, porque de nada são culpados.
A família nunca se separa, nem se desestrutura. Quem se separa são as pessoas. E essas só se desestruturam se não avaliarem bem as suas responsabilidades perante a família.


Observe como a autora organiza suas idéias, seguindo a estrutura de texto dissertativo.
O casamento atual.


Introdução


1º parágrafo


Introdução e síntese.A autora apresenta a síntese (o resumo) que irá ser ampliada
nos parágrafos seguintes.


Desenvolvimento 2º/3º/4º parágrafos


Inicia-se a argumentação. A cada parágrafo, a autora
apresenta argumentos que mostram as modificações por que
passa o casamento atual, preparando o leitor a aceitar a sua
tese: a separação, o fim do casamento que não dá certo.
5º e 6º parágrafos Continuando sua argumentação, a autora posiciona-se a
respeito da separação e defende a tese de que é melhor
viver separados do que juntos e infelizes.

Conclusão
7º parágrafo
Concluindo, a autora reafirma a tese da separação e a
sustenta com um novo argumento: a família não se
desestrutura se as pessoas têm consciência de suas
responsabilidades perante ela.


A narração é um tipo de texto em que se conta
uma história real ou imaginária, através de fatos
sucessivos que vão ocorrendo num tempo dinâmico, progressivo.


Notícia de jornal, histórias em quadrinhos, anedota, romances, novelas, contos, crônicas são textos narrativos que contam uma história.


As narrativas chegam até nós através de várias linguagens: pela palavra (linguagem verbal: oral e escrita), pela imagem (linguagem visual ), pela representação (linguagem gestual) e outras.


Para que haja a narração é preciso um narrador (sujeito que pratica o ato de narrar),
personagens, tempo dinâmico, espaço, ações. Nesta unidade, você vai ler dois textos narrativos muito interessantes e perceber como foi explorada essa forma de escrever.


Lisete
Clarice Lispector


Uma tarde eu estava andando pelas ruas para comprar presentes de Natal. As ruas
estavam muito cheias de pessoas comprando presentes. No meio daquela gente toda vi um agrupamento, fui olhar: era um homem vendendo vários micos, todos vestidos de gente e muito engraçados. Pensei que todos de casa iam ficar adorando o presente de Natal, se fosse um miquinho. Escolhi uma miquinha muito suave e linda, que era muito pequena.
Estava vestida com saia vermelha, e usava brincos e colares baianos. Era muito delicada conosco, e dormia o tempo todo.
Foi batizada com o nome de Lisete. Às vezes parecia sorrir pedindo desculpas por dormir tanto. Comer, quase não comia, e ficava parada num cantinho só dela.
No quinto dia comecei a desconfiar que Lisete não estava bem de saúde. Pois não era


Narrar é contar uma história através de fatos que vão ocorrendo num tempo
progressivo. Para que esses fatos se encadeiem, é necessário que haja um
narrador, personagens, tempo, espaço e ações. normal o jeito quieto e calado dela.


No sexto dia quase dei um grito quando adivinhei: "Lisete está morrendo ! Vamos levá-la a um veterinário !" Veterinário é médico que só cuida de bichos.


Ficamos muito assustados porque já amávamos Lisete e sua carinha de mulher. Ah, meu Deus, como nós gostávamos de Lisete ! E como nós queríamos que ela não morresse ! Ela já fazia parte de nossa família. Enrolei Lisete num guardanapo e fomos de táxi correndo para um hospital de bichos.


Lá deram-lhe imediatamente uma injeção para ela não morrer logo. A injeção foi tão boa que até parecia que ela estava curada para sempre, porque de repente ficou tão alegre que pulava de um canto para outro, dava guinchos de felicidade, fazia caretinhas de macaco mesmo, estava doida para agradar a gente. Descobrimos, então, que ela nos amava muito e que não demonstrava antes porque estava tão doente que não tinha forças.


Mas, quando passou o efeito da injeção, ela de repente parou de novo e ficou toda quieta e triste na minha mão. O médico então disse uma coisa horrível: que Lisete ia morrer.


Aí compreendemos que Lisete já estava muito doente quando a comprei.
O médico disse que não se compram macacos na rua porque às vezes estão muito doentes.
Nós perguntamos muito nervosos:


E agora ? Que é que o senhor vai fazer ?


Ele respondeu assim:


Vou tentar salvar a vida de Lisete, mas ela tem que passar a noite no hospital.


Voltamos para casa com o guardanapo vazio e o coração vazio também. Antes de dormir, pedi a Deu para salvar Lisete.


No dia seguinte o veterinário ligou avisando que Lisete tinha morrido durante a noite.


Compreendi então que Deus queria levá-la. Fiquei com os olhos cheios de lágrimas, e não tinha coragem de dar esta notícia ao pessoal de casa. Afinal avisei, e todos ficaram muito, muito tristes. De pura saudade, um de meus filhos perguntou:


Você acha que ela morreu de brincos e colar ?


Eu disse que tinha certeza que sim, e que, mesmo morta, ela continuaria linda.


Também de pura saudade, o outro filho olhou para mim e disse com muito carinho:


Você sabe, mamãe, que você se parece muito com Lisete ?


Se vocês pensam que eu me ofendi porque me parecia com Lisete, estão enganados.


Primeiro, porque a gente se parece mesmo com um macaquinho; segundo, porque Lisete era cheia de graça e muito bonita.


Obrigada, meu filho, foi isso que eu disse a ele e dei-lhe um beijo no rosto.


A descrição é um tipo de texto que procura retratar, através de palavras, as características de uma pessoa, de um objeto, de um animal, de uma paisagem ou de uma situação qualquer.


Um bom texto descritivo é aquele que permite que o ser descrito seja identificado pelo que ele tem de particular, de característico em relação aos outros seres da mesma espécie.
Os textos que apresentaremos a seguir descrevem animal, objeto e pessoa.


TEXTO


A Amiga


" Ele chegou ao bar, pálido e trêmulo. Sentou-se.


- Por enquanto, nada - desculpou-se ao garçom.


- Estou esperando uma amiga.


Dali a dois minutos estava morto.


Quanto ao garçom que o atendeu, esse adorava repetir a história, mas sempre
acrescentava ingenuamente:


- E , até hoje, a 'grande amiga' não chegou! "


Texto persuasivo (geralmente solicitado na forma de uma carta) é endereçado a
uma pessoa específica, única, a quem o interlocutor (que o escreve) deverá tentar convencer, persuadir, a respeito de determinado assunto do conhecimento de ambos.


Além da parte formal, cabeçalho com data e o cumprimento inicial, o escritor se despede ao final.


Ao desenvolver esse texto, durante a argumentação deverão estar presentes as marcas de interlocução.


Observe essas marcas simples de interlocução nos exemplos abaixo:


Como o senhor pode bem verificar, algumas pesquisas são fraudulentas e visam
confundir as pessoas."


É nosso dever de cidadão - tanto meu quanto seu - observar o que existe de errado
e denunciar, sempre que preciso."


" Entendo que lhe seja difícil admitir estar errado." ( lhe = ao senhor)


Geralmente o assunto proposto para a esse tipo de texto é polêmico e atual, cabendo a você discuti-lo e, muitas das vezes, usando os próprios argumentos do interlocutor fortalecer sua oposição a ele. Tal recurso é a conta-argumentação que, bem sucedida, enriquece seu texto.

4 comentários:

  1. Anônimo15:23:00

    muito interessante esses ensinamentos,nos ajudam muito nas horas de dificuldade e tambem nos enriquecem com essa nossa lingua brasileira.

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  2. Anônimo18:45:00

    muito legal o blog consegui entender mais sobre interpretação e compreensão de texto

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